10 de dezembro de 2014

COMO ESCOLHER UM INTERCÂMBIO?

Quando pensamos em estudar fora é normal que surjam muitas dúvidas e como vira-e-mexe eu recebo perguntas sobre o assunto resolvi vir fazer uma listinha das principais coisas a se pensar na hora de fechar um intercâmbio, afinal, o investimento financeiro é alto, as expectativas são enormes e as opções são abundantes, mas com bastante pesquisa e um pouco de auto-conhecimento é possível fazer a escolha perfeita!






  • Escolha o País, a Cidade e a Época do ano
Faça uma lista dos possíveis países que você gostaria de morar por um tempo e que tenham como idioma aquele que você escolheu pra estudar.
Agora pesquise bastante sobre esses países, mas pesquise coisas relevantes para o dia a dia, como o clima, alimentação, custo de vida, transporte publico e depois pesquise o que tem pra fazer na cidade.

Por exemplo, se você não suporta frio e está planejando viajar em janeiro, não rola de ir pra Toronto, no Canadá, porque a temperatura chega facilmente na casa dos -20ºC, mas se o mês da viagem for julho, o hemisfério norte  estará no verão.

Se a escolha for uma cidade grande, dê atenção ao transporte público, pois a menos que você tenha bastante dinheiro e vá ficar andando de taxi pra cima e pra baixo, é muito importante que o transporte seja eficiente para facilitar as suas andanças, principalmente a ida pra aula e a volta da balada.


  • Escolha a escola
Existem milhares de escolas de idioma para estrangeiros no mundo todo, algumas são bastante comercializadas aqui no Brasil e por isso a chance de ter muitos brasileiros na escola é maior, mas existem outras escolas que não são conhecidas por nós, que as agências de intercâmbio daqui não oferecem e por isso tem bem menos brasileiros, então, o google será seu melhor amigo nesta hora.
Se a sua intenção é fugir de brasileiros, entre no site das agências aqui do brasil e veja quais escolas elas tem parceria (no geral são sempre as mesmas, mudando poucas vezes) e já exclua essas escolas da sua lista caso você tenha a intenção de fechar o intercâmbio por conta própria direto com a escola, uma outra opção é viajar nas meias estações, já que dezembro, janeiro, fevereiro e julho são os meses que os brasileiros mais saem do Brasil, inclusive para estudar.
Outro ponto a ser considerado é o perfil de cada escola... Uma determinada escola, em um determinado país ou cidade, tem um perfil mais jovem, ou seja, seu público alvo são as pessoas entre 16 e 25 anos, já outra escola tem turmas +50, quer dizer que só aceita pessoas acima dos 50 anos, existem também, as escolas que são mais procuradas por executivos e geralmente a faixa etária fica na casa dos 30 anos. Então procure uma escola que se encaixa melhor no seu perfil para que sua experiência seja agradável.


  • Escolha o tempo de estudo
Esse tempo engloba duas coisas, a primeira é quantas semanas você tem disponível para ficar estudando.
Muita gente me pergunta se um mês é suficiente para aprender bem o idioma, minha resposta quase sempre é "Não, não é suficiente", mas tudo depende de uma serie de coisas; se a pessoa já tem um nível avançado do idioma e quer passar um mês fora para treinar o ouvido e a fala, este um mês pode sim ser suficiente, mas para isso, a pessoa precisa ser bem focada e disciplinada, afinal, se ela passar 1 mês fora conversando só em português ou passando as tardes livres em casa na internet, esse mês não vai ter valido de (quase) nada, mas se a pessoa frequentar todas as aulas, procurar amizades locais e de outras nacionalidades, usar o tempo livre pra passear, ir ao cinema e falar no idioma do país com outras pessoas, pode ter certeza que ela terá um avanço significativo.
Mas, e para as pessoas que não sabem nada do idioma? 
Neste caso, com um mês é impossível voltar fluente. Em geral, 1 mês de intercâmbio equivale a 1 semestre de um curso do idioma aqui no Brasil, então da pra fazer mais ou menos uma conta de quanto cada um precisa pra chegar no nível desejado, mas claaaaaaro que tem que levar em consideração tudo que falei acima, pois se a pessoa não tiver interesse e dedicação, nem 1 ano será suficiente.

O outro ponto em relação ao tempo, é a quantidade de lições semanais.
As escolas vendem os cursos por lições semanais e os mais comuns são 20L, 24L, 27L e 30L (cada escola tem sua variação).
Quando eu trabalhava como consultora de intercâmbio, era comum as pessoas chegarem procurando o curso mais intensivo possível, pois elas achavam que assim ficariam fluente mais rápido. Pode ser que para algumas pessoas isso funcione, mas pra muita gente isso não é o ideal, afinal, se a pessoa já tem um histórico de não gostar de estudar, de matar aula e etc, comprar um curso de 30 lições semanais, onde ela passará a manha e a tarde toda na escola é pedir pra desperdiçar dinheiro, afinal, ela não vai aguentar esse batidão.  
Outra coisa muito importante é que, aprende-se muito na escola, óbvio, mas é na rua que pratica-se o que se aprendeu na escola, é na rua que você vai aprender as gírias e a linguagem coloquial, então é muito importante que você tenha tempo para passear, e passear entende-se desde ir a uma cafeteria, onde você vai precisar falar com o atendente para fazer seu pedido, até ir a uma balada, pois lá você vai conversar bastante com pessoas locais. 


  • Escolha a acomodação
Esse é um ponto muito importante a ser decidido, pois o tipo de acomodação pode ser o responsável pelo fracasso ou sucesso da sua felicidade durante o intercâmbio. 
To exagerando? Talvez! 
Mas durante os meus 6 meses e meio na Espanha, vi muita gente que não suportava o tipo de acomodação que tinha escolhido, muitas pessoas trocaram de acomodação, mas tinha gente que não tinha dinheiro pra pagar a diferença  e não teve como trocar, e tem época do ano que a escola fica muito cheia impossibilitando a troca por falta de acomodações livres.

As principais são:

    1.   Homestay (casa de família): é a opção mais barata e também a melhor para imersão no idioma e na cultura do país, afinal, você estará vivendo com uma família local e o único idioma para se comunicar com eles será o idioma local, além disso, geralmente em homestay você pode escolher half board (meia-pensão) ou full board (pensão completa), e então fará as refeições com a família, comerá comida local e aprenderá um pouco mais sobre os hábitos do país. Por outro lado, é a opção com menos liberdade, afinal, você terá que dar algumas satisfações para seus hosts (pai e mãe local), por exemplo, se você contratou alimentação e num determinado dia você não vai voltar pra casa pra jantar, você precisa ligar avisando que não vai. 
Tudo é uma questão de sorte, você pode cair em uma família que tenha um perfil muito parecido com o seu, que seja muito legal e liberal, mas você também pode cair em uma família que seja mais fechada e não tão liberal e ai você não vai se sentir tão confortável.
Esta é a opção que fica mais longe da escola, podendo ficar até uma hora de distância de transporte público.


    2.   Apartamento Estudantil: o mais liberal e a menor imersão de todas as opções. É um apartamento normal, onde você vai dividi-lo com outros estudantes da escola (se você contratar pela escola), não tem ninguém pra vigiar ou pra tomar conta, então você pode sair e voltar a hora que quiser, mas também terá que fazer sua própria comida, limpar a casa (ou o seu quarto), lavar sua própria roupa, fazer compras no supermercado e etc. 
Quando você contrata essa opção com a escola, o departamento de acomodações vai te alocar no apartamento que supre as suas escolhas, como quarto individual ou duplo, mas você não pode escolher o apartamento que vai morar, do mesmo jeito que não poderá escolher com quem vai morar, então também é uma questão de sorte conseguir morar com pessoas que você se dê bem e em uma boa localização.
Neste caso, a imersão na cultura é bem menor que em Casa de Família e pode ser que morem dois brasileiros num mesmo apartamento e você corre o risco de ficar conversando só em português. 
Pode ficar até meia hora da escola de transporte público.


    3.   Residência Estudantil: é o meio termo, é como se fosse um hotel, cada estudante tem seu quarto, alguns tem banheiro privativo e alguns tem banheiros compartilhado, ou seja, o banheiro fica no corredor e várias pessoas usam o mesmo banheiro; a cozinha e a sala de convivência (onde fica a tv, sofá, jogos e etc) são coletivas, e sempre tem um responsável pelo prédio. 
Em alguns casos, existe limite de hora pra chegar em casa, e se chegar depois da hora, não entra, além do que também não pode ficar recebendo visita.
O ponto positivo é que você conviverá com muitas pessoas de várias nacionalidade ao mesmo tempo.
Normalmente é a opção que fica mais perto da escola.


    4.   Campus: Funciona mais ou menos como a Residência Estudantil, mas fica dentro do campus de alguma universidade local e é mais comum nos Estados Unidos. 
Se você é jovem (ou nem tão jovem assim), e tem vontade de viver como nos filmes americanos, essa é uma boa oportunidade.




Estes são os principais pontos a serem considerados e espero ter ajudado um pouquinho quem está nesta fase do planejamento.

Fazer um intercâmbio é algo muito especial e eu posso afirmar que o meu intercâmbio foi a melhor época da minha vida! Estou indo pra minha segunda experiência e espero que seja muito especial também.

Se ficou alguma dúvida, escreva nos comentários ou mande um e-mail que eu respondo.

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